quinta-feira, 30 de junho de 2011

Vicente Leite - Exposição Individual na Galeria da Fa7

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL do Artista Plástico VICENTE LEITE na Faculdade 7 de Setembro (25 de maio a 27 de junho 2011), comemorando 8 anos de existência da GALERIA DE ARTE VICENTE LEITE. Trata-se de um espaço para a arte cearense com o compromisso da excelência artística e educacional.  Curadoria de Dante Deniz, usando patrimônio de colecionadores de Fortaleza.
VICENTE ROSAL FERREIRA LEITE, nasceu no Crato, dia 6 de agosto de 1900, filho de Felix Ferreira Leite e Maria Rosal Ferreira Leite. Vicente morreu, prematuramente, no Rio de Janeiro em 14 de outubro de 1941. A casa onde Vicente nasceu, no sitio batateira, ainda existe e abriga um Museu com seu nome.
No fim da década de 1910 foi agraciado com bolsa de estudos pelo Presidente da Província do Ceará e transferiu-se para o Rio de Janeiro onde ingressou no curso de Pintura Livre na Escola Nacional de Belas Artes (1920-1926). Teve como mestres: Lucilio de Albuquerque, Rodolfo Chambelland e João Batista Costa de quem recebeu direta influencia e é considerado por muitos seu fiel seguidor. IMPRESSIONISTA. Seus companheiros de turma foram Roberto Rodrigues, Lula Cardoso Ayres, Oswaldo Teixeira, Orlando Teruz e Candido Portinari que o retratou em 1923.
VICENTE LEITE foi um artista de destaque no mundo da pintura. Recebeu todas as premiações que um pintor poderia aspirar na sua época. No Salão Nacional de Belas Artes: Menção Honrosa 1924, Medalha de Bronze 1926, Medalha de Prata 1929, Prêmio de Viagem nos Pais 1935, Prêmio de Viagem ao Exterior 1940. No Salão Paulista de Belas Artes: Medalha de Bronze 1938, Medalha de Prata 1939. No Salão de Artes Plásticas do Rio Grande do Sul, Medalha de Prata 1939. Participou do Salão da Primavera no Liceu de Artes e Ofícios no Rio de Janeiro 1924, Salão de Outono no Rio de Janeiro 1926 e do Salão Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro 1935. Realizou exposições individuais no rio de Janeiro e São Paulo em 1936. Participou do Salão Rosário, na Argentina 1929, e do Salão de Arte Contemporânea do Hemisfério Ocidental, em Nova Iorque 1941. No CEARÁ encontra-se no mesmo patamar de Raimundo Cela, Antonio Bandeira e Aldemir Martins. Teve retrospectivas individuais na Galeria Ignez Fiúza, Galeria Multiarte.  No Centro Cultural Oboé e na Prefeitura do Município do Crato 2000, comemorativas dos 100 anos de nascimento do Artista.
VICENTE LEITE, figura nos acervos do Museu Nacional de Belas Artes, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Pinacoteca do Estado do Ceará, e no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará. É citado em “A Pintura no Brasil”. de Jose Maria reis Jr.; em “Artistas Pintores no Brasil”, de Teodoro Braga; no “Dicionário das Artes Plásticas no Brasil”, de Roberto Pontual; em “150 anos de Pintura no Brasil (1820-1970)”, de Clarival do Prado Valadares; em “Uma Visão da Arte no Ceará”, de Roberto Galvão e Ignez Fiúza; e ainda em um livro escrito por Bruno Menezes intitulado VICENTE LEITE – GLORIA DA PINTURA BRASILEIRA.
VICENTE LEITE, em suas paisagens, a trabalhada palheta de verdes, constrói com perfeição uma sucessão de planos e luzes que registram com muita sensibilidade a atmosfera do ambiente. As paisagens botânicas do pintor impressionista são de uma sensibilidade cromática, sensual e repousante. Nas suas paisagens do litoral cearense, sente-se falta da força do vento no mar, provavelmente devido à sua pouca vivência nas praias do nordeste. Suas obras necessitam maior pesquisa por parte historiadores da Arte da Pintura, a fim de enaltecer este gênio da pintura do Ceará.

Por Theresita Araújo


Faculdade 7 de Setembro
Rua Alm. Maximiniano da Fonseca, 1395 -

Eng. Luciano Cavalcante - CEP 60811 - 020
Fortaleza - CE - Brasil -

Fone: +55 85 4006-7600 - Fax: +55 85 4006-7614

Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil

“Quando o Brasil era a Terra de Santa Cruz, as mulheres tinham de se enfear e os homens precisavam dormir de lado, nunca de costas, porque “a concentração de calor na região lombar” excitava os órgãos sexuais. E nos momentos a dois – geralmente no meio do mato, e não em casa, porque a chave era artigo de luxo e não era possível fechar as portas aos olhares e ouvidos curiosos – as mulheres levantavam as saias e os homens abaixavam as calças e ceroulas. Tirar a roupa era proibido. E beijar na boca? Bem... sem pasta e escova de dentes, difícil.”

Durante muito tempo os historiadores se limitaram a privilegiar os grandes acontecimentos políticos, elegendo seus protagonistas e listando metodicamente os fatos, nomes e datas. Contudo, a partir dos anos 70, testemunhamos o surgimento de inovações teóricas e metodológicas que abriram espaço para uma grande variedade de temas que até então não eram discutidos pela História tradicional. Essa abertura leva o historiador a questões ligadas ao cotidiano da sociedade, que incluem assuntos ligados a família, à saúde, à doença, à loucura, às mulheres, ao corpo, ao sexo.

Essa busca pelo caráter humano dos acontecimentos é uma das características da historiadora Mary Del Priore. Especialista em História do Brasil, e detentora de diversos prêmios literários, percebemos em sua produção a abordagem surpreendente de temas que foram considerados tabus durante muito tempo. O livro Histórias Íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil, lançado no primeiro semestre desse ano, é um grande exemplo disso.

Na obra, a escritora ressalta as mudanças em torno do sexo e das noções de intimidade. Do Brasil Colônia ao nosso Império, acompanhamos uma narrativa envolvente e objetiva que nos revela como as condições políticas, econômicas e culturais influenciaram de forma determinante alguns elementos da vida íntima dos nossos antepassados. É impressionante a riqueza de detalhes sobre hábitos e costumes, resultado de uma intensa pesquisa que durou mais de dez anos e hoje nos leva aos bastidores da história do nosso país. A obra nos permite analisar a rapidez com que “a ditadura da contenção” se transformou em “ditadura do gozo”: inicia falando do repressor período colonial, passando pelo hipócrita e adúltero século XIX (que assistiu às aventuras de um imperador libertino), além de fazer uma análise da “descoberta do corpo” e revolução sexual nos séculos XX e XXI, sempre ressaltando casos curiosos, engraçados e instigantes.

Realmente, uma leitura prazerosa...


Por Luciana Rodrigues

A ARTE NÃO PRECISA DE JUSTIFICATIVA

O livro é no mínimo instigante e nos leva à reflexão de como, quando e porque fazemos ou gostamos de Arte. Fala de uma idéia de nos tornarmos criadores e adoradores daquilo que Deus nos colocou a disposição para que tudo tenha um propósito e não seja feito apenas por fazer. A arte não precisa de justificativa - nem por motivos religiosos ou propósitos evangelísticos, nem por fins econômicos ou políticos.
Deus deu à humanidade a habilidade de fazer grandes coisas: compor, escrever poemas, esculpir, pintar... as possibilidades artísticas existem para serem percebidas e executadas por nós.
Servem para comunicar, para representar valores, para decorar ambientes ou simplesmente ser belo. Já que a arte não precisa de justificativa, ninguém precisa se desculpar por fazer arte.
A Arte pode retratar a realidade fora de nós mesmos, como entendida e vista por nós. Tal realidade pode ser as coisas que vemos, mas também as coisas que experimentamos: amor, fé, afeto, justiça e todos seus respectivos antônimos.
O autor diz que “gosto não se discute” e isso já é um ditado popular: há os que gostam de rock, outros de música clássica, uns preferem paisagens, outros retratos. Embora nossas preferências não possam ser discutidas, nossas escolhas podem já que a qualidade e o conteúdo não são apenas questão de gosto, mas questão de norma.
 “As coisas têm valor por aquilo que são, e não pelas funções que exercem, por mais que estas sejam importantes.”

Por Cláudia Vendrametto

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Dom Poder e a Revolta da Natureza - Ritual e consciência

Depois do sucesso de Os Cactos, Ensaio para um silêncio e Encantrago – Ver de Rosa um Ser Tão, que percorreu o Brasil no Festival Palco Giratório, promovido pelo SESC, o Grupo Expressões Humanas retoma antiga montagem, desta vez com foco no público infantil. O grupo, que completa 20 anos de existência, segue preceitos de Eugênio Barba, Jerzy Grotowski e Antonin Artaud e realiza trabalhos na linha de pesquisa do Teatro Ritualístico desde a sua formação.

Não poderia ser diferente com Dom Poder e a Revolta da Natureza. O contato direto com o público é estabelecido logo na recepção deste, pelos atores, e mantido até o final da peça, onde se celebra a vida com uma grande ciranda. Os sentidos são estimulados pela composição cênica, com cores vivas e canções chicletes, fortes, alegres e suaves. Os espectadores são convidados a participar do jogo proposto, interagindo com a estória contada e interferindo criticamente nela.

Originalmente montado em 1992, o espetáculo teve sua estreia em abril deste ano, seguindo em temporada nos meses de maio e junho, no teatrinho Oca da Aldeia, na sede do grupo. Também realizou duas apresentações no Educar SESC, para 600 crianças. Posteriores temporadas estão previstas ainda para este ano. A montagem tem texto e direção de Herê Aquino, figurino de Yuri Yamamoto e canções de Helô Sales, Tony Fernandes, Venâncio de Sousa e Juliana Veras, que também assina a direção musical. Todas são executadas pelos atores, durante a encenação.

No elenco, Ana Amália Morais, Bio Falcão, Juliana Veras, Marina Brito e Péricles Davy dão vida a alguns entes muito importantes à mamãe-natureza. Aqueles que vemos, sentimos e usamos todos os dias e sequer nos damos conta do quanto desperdiçamos e maltratamos. Água, Sol, Árvore, Ar e Macaco reúnem-se para discutir seu futuro – e o de todos os outros – já que um tal de Dom Poder (Felipe Franco) resolveu que ele é quem mais importa. Precisam dar uma lição naquele que quer destruí-los para obter lucros e não tem um pingo de consciência ecológica ou de preocupação com qualquer outra coisa ou pessoa, além dele mesmo e seu dinheiro. Para tanto, tornam-se cúmplices das crianças e contam com elas para dar sugestões, bolar planos, protestar e até esconder Água e Árvore. Aparentemente frágeis perante um vilão tão cruel e poderoso, os elementos descobrem-se fortes, pois possuem um bem muito maior, desconhecido por seu inimigo e que, portanto, será sua arma secreta: a amizade.

Mais que uma peça para ensinar algo útil às crianças, pode-se dizer que Dom Poder e a Revolta da Natureza segue a ideia de que “a arte educa enquanto arte e, não, enquanto arte educativa” (Gramsci). Envolve crianças e adultos e leva a pensar sobre quando cada um  está na pele do Dom Poder, seja jogando papel pela janela do carro ou tomando banhos exageradamente longos. Mais, convida a refletir. Modifica.


Por Danieli Flores

Para saber mais sobre o grupo, vale acessar o blog ou visitar seu território teatral:
Aldeia Expressões Humanas: Rua Barão de Aratanha, 605, Centro (próximo à Av. Domingos Olímpio)


terça-feira, 28 de junho de 2011

Novos Olhares sobre Cândido Portinari

“Entre o cafezal e o sonho o garoto pinta uma estrela dourada...
Entre sonho e o cafezal, entre guerra e paz...
Entre o amor e o oficio, eis que a mão decide...
A mão infinita
A mão-de-olhos-azuis de Candido Portinari” (A Mão - Carlos Drummond)

Exposição Portinari em cerâmica é uma interpretação da obra de Cândido Portinari, artista e político nascido no interior de São Paulo no inicio do século IX, Portinari é considerado o mais brasileiro artista plástico, pois retratava em sua obra as suas raízes, o povo brasileiro, era livre em suas criações, não se prendia a tendências, passeava por elas.

As obras expostas apresentam uma releitura da obra do mestre da pintura Cândido Portinari, as peças são esculturas e painéis produzidas em cerâmica, na sua maioria sobre madeira, por um grupo de 22 artistas, ceramistas de vários estados brasileiros e de outros países, produzidas no ateliê Vila Arte.

Três peças, das expostas, fazem uma releitura do Painel de azulejo da Igreja de São Francisco, mais conhecida como Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte – MG, duas delas são  painéis em cerâmica sobre madeira de demolição, que embora mantenha o formato original da obra, de painel, traz um olhar atual com o uso da madeira   vinda da demolição, já a terceira peça reflete um olhar mais  moderno, traz um outro formato, é uma escultura em forma de vaso (imagem ao lado), que além do caráter decorativo tem um viés utilitário. Outra peça que chama a atenção é a releitura da artista Denise Sabóia, Curadora da exposição, da obra Meninos no Balanço de Portinari, a obra original utiliza a técnica de pintura a óleo em varias cores, a artista apresenta uma peça em cerâmica com metais e madeira em apenas 4 cores com movimentos circulares para cima e para baixo, esta mobilidade provoca uma leveza, um sentimento de liberdade ao observá-la, refletindo bem a frase de Portinari “Sabe porque é que eu pinto tanto menino em gangorra de balanço? Para botá-los no ar feito anjos.”.

A releitura da obra Retrato de Cândida Darci Vargas, de 1944 é a expressão mais forte do olhar contemporâneo do grupo de artistas, se trata de um painel, tendo ao fundo uma colagem da obra original em papel japonês, sobre a colagem um vestido em  lacas de cerâmicas esmaltadas, pendurado por dois fios superiores quase invisíveis, o vestido fica  suspenso, flutuante, retrata a idéia dos dias atuais que são compacto, desconexos, da individualidade e da separação, onde na verdade tudo e todos estão conectados, interligados de alguma forma, mesmo quando não queremos.

Para os artistas esta releitura da obra de Portinari é um projeto ousado que busca uma nova forma de entender o mestre. Toda obra de arte pode ser relida, revisitada a partir da experiência e do sentimento de cada ser, é esta a proposta da exposição. Vale apena apreciar, pois é uma boa oportunidade para observar novos olhares sobre a obra de Cândido Portinari.


Por Luciana Eugênio


Exposição Portinari em Cerâmica
Período: 22/jun/2011 a 31/jul/2011
Ter à Qui: 9h às 19h - Sex à Dom: 14h às 21h
Local: Espaço Multiuso do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Infomações: (85) 3488 8600

N.D.A. Uma aventura experimentalista de Arnaldo Antunes pela poesia

Desde os anos de 1980 o poeta e compositor Arnaldo Antunes constrói uma trajetória bastante singular, desenvolvendo um trabalho artístico capaz de conciliar suas experiências com a música popular, com as artes plásticas e com a poesia.

Com vários livros publicados no Brasil, um na Espanha e um em Portugal, seu último livro de poemas n. d. a. (abreviatura de nenhuma das alternativas) e título de um dos poemas do livro (São Paulo: Iluminuras, 2010; 207 páginas; 42,00 reais), mostra uma busca marcante pela síntese, ritmo e sonoridade, tendo o movimento e a arte gráfica como elemento de significado.

Arnaldo Antunes não gosta de rótulos, mas observa-se nele, forte influência da poesia concreta, que se caracteriza por um antagonismo em relação aos recursos poéticos tradicionais. Antidiscursiva, a poesia concreta aboliu o verso e a estrofe; a disposição das letras e/ou palavras passou a explorar o espaço em branco do papel, que se torna parte integrante de sua composição. O poema ganha uma pluralidade de possibilidades interpretativas, não apenas no significado dos vocábulos, mas também em seus aspectos materiais como a sonoridade e a visualidade.

a materialidade da palavra nas experiências de linguagem é um dos pontos mais fortes na estética desenvolvida por Arnaldo Antunes e presentes neste livro: fragmentação de núcleos vocabulares; subversão, ou, em alguns casos, eliminação da sintaxe; exploração de recursos não verbais como forma de excitar outros níveis de significação do verbal. Montando, desmontando e remontando palavras, o poeta cria uma aventura lingüística, usando imagens que não são tipicamente poéticas, muitas delas, bizarras.

O livro n. d. a. traz ainda uma parte de Cartões Postais — reunião de fotos de placas e escritos urbanos que, deslocados de seu contexto original, adquirem poeticidade, gerando novos significados. A sequência das fotos acaba por sugerir uma narrativa oculta, que associa locais diferentes por elos de sentidos imprevistos.

Ao situarmos a poesia de Arnaldo Antunes no universo da cultura atual em que o mundo sofre uma veloz transformação, acreditamos que o poeta busca sempre novas formas de manter-se no mundo e de interferir nele. O livro  n. d. a. traduz o esforço escritural do poeta de diferenciação do comum e a tentativa de fixar sua individualidade estética.


Por Fátima Sena

Millennium 1 (Os homens que não amavam as mulheres)

“Os homens que não amavam as mulheres” (Título original sueco: Män som hatar kivnnor. São Paulo: Companhia das letras, 2008, tradução Paulo Neves) é o primeiro livro da série Millennium, criação do escritor Stieg Larsson, jornalista e ativista político na Suécia. Morreu, pouco tempo depois de entregar a seus editores a trilogia Millennium, vítima de um ataque cardíaco.

Este livro narra a história de Mikael Blomkvist, um conceituado jornalista investigativo e também sócio proprietário da revista Millennium, apelidado ainda jovem de super-Blomkvist por ter ajudado a polícia a encontrar uma quadrilha de assaltantes de banco. Blomkvist, em meio a um escândalo, é condenado a três meses de prisão por calúnia e difamação contra uma importante figura do mercado financeiro sueco, o Sr. Hans-Erik Wennerström. Em meio ao abalo de sua credibilidade e a constante perda de investidores na revista, Mikael recebe a inesperada proposta de um senhor, Henrik Vanger, para solucionar o caso do desaparecimento de sua sobrinha, Harriet Vanger, ocorrido há quase quarenta anos, tendo como desculpa o interesse em escrever a biografia da família Vanger. Mesmo acreditando ser impossível descobrir o que aconteceu com Harriet, Mikael afasta-se da revista Millennium, muda-se para Hedeby, parte antiga de Hedestad, e mergulha na história de cada personagem da família Vanger, tratando cada um como potencial suspeito. Ele, então, percebe que o caso de Harriet, para Henrik, é uma obsessão, confirmada no volume de documentos adquiridos e investigações minuciosas realizadas por este ao longo desses quase quarenta anos. Isso faz com que Mikael solicite ajuda de um investigador particular e descobre que ele foi alvo de uma investigação solicitada por Henrik. Impressionado com o detalhamento de sua vida particular compilado em um dossiê, vai à busca da investigadora responsável, Lisbeth Salander.

Lisbeth, uma competente investigadora da empresa Milton Security, apresenta sérios problemas de socialização e tendências violentas, porém é muito ética e fiel a seus princípios. Ela tem vinte e cinco anos, mas por sua estatura e porte físico não parece ter atingido a maior idade.  Veste-se como punk, com roupas pretas de couro e tem muitas tatuagens e piercings, e é uma genial hacker. No entanto, Mikael é um solteiro convicto charmoso de quarenta e poucos anos e vive um triangulo amoroso com Erika Berger, sócia proprietária da Millennium, mas sempre está aberto a novos romances. Por meio da investigação do caso Harriet, Mikael e Lisbeth vivem intensamente uma relação muito além da profissional. Em uma envolvente trama de suspense, os dois deparam-se com um impressionante histórico de violências cometidas contra mulheres. Após desvendarem o mistério, Mikael passa a ter uma enorme dívida de gratidão com Lisbeth por ela ter salvado sua vida.

“Os homens que não amavam as mulheres” é um romance policial com boas doses de violência, com um enredo completamente diferente de tudo que já li do gênero. O texto do autor leva a uma reflexão acerca da discriminação contra minorias e coloca em posição central uma anti-heroína sociopata que surpreende a cada capítulo. E este livro é apenas o início das aventuras desta garota.


Por Renata Goes