terça-feira, 28 de junho de 2011

A loja de pianos da Rive Gauche

Adorável exploração das delícias do piano e da vida parisiense”. (Sunday Express)

Um romance de rara sensibilidade sobre a redescoberta do amor pela música. A loja de pianos da Rive Gauche é uma silenciosa e apaixonante história sobre o piano e sua importância na vida francesa e na vida do próprio autor, lê-se na contracapa deste livro de bolso, um presente musicalmente apaixonante que ganhei da minha professora de piano no meu último aniversário. É sem dúvida um dos melhores livros que li este ano.

A história se passa nos anos 90. O próprio autor, o escritor americano Thaddeus “Thad” Carthart, escreve em primeira pessoa. Carthart nasceu nos anos 50, no interior da França, filho de um militar americano acantonado no país. Foi lá que passou a infância. Já no ensino fundamental francês o garoto teve suas primeiras aulas de piano. Quando completou 10 anos, seu pai foi transferido de volta aos Estados Unidos, onde o garoto continuou a estudar piano pelo prazer que sentia; ele nunca sonhou ser concertista, tinha consciência dos próprios limites. Quando chegou a high school, e de lá a universidade, abandonou o piano. E passaram-se 20 anos.

Já nos anos 90, Carhart, trabalhando como jornalista, casado e com dois filhos consegue realizar o antigo sonho de voltar a morar na França. A partir desta mudança o livro se desenvolve. A família se instalou num pequeno apartamento, na Rua Rive Gauche. Todas as manhãs, Carhart saía para levar os filhos à escola. Depois, no caminho de volta , parava num café de uma ruazinha tranquila e estreita. Através da vitrine do café, Carhart enxerga uma loja chamada “Desforges Pianos”. Este é o início do romance, que se segue com a descoberta do piano perfeito para Carhart, sua aquisição, o cuidado com o instrumento e o retorno dele as aulas de piano. Tudo isso pontuado pelas lições surpreendentes e observações saborosas de Luc, um funcionário da loja, que no decorrer do livro se torna proprietário da mesma, e muito amigo de Carhart. Não acho justo falar mais sobre seu desenvolvimento, pois anteciparei aos que possam interessar tão agradável leitura. O livro é uma declaração de amor ao instrumento. Gostoso de ler, rapidamente é concluído. Uma leitura indispensável aos amantes do piano.

T.E. Carhart nos remete tanto à história da música erudita, quanto à história a história do piano como instrumento; dá-nos como referência de seu aparecimento, o ano de 1694, e seu inventor, Bartolomeu Cristofori. Descreve o aperfeiçoamento pelo qual o piano foi passando e sua repercussão nos meios musicais com as novas composições feitas para ele, como as sonatas de Haydn e Mozart. Em alguns capítulos pensei como seria bom se tivesse fotos dos pianos citados, mas logo vejo como minha imaginação se encarregou de vê-los no pensamento, o que sem dúvida eu não faria se tivesse a ilustração.

Um livro para ler ao som de um bom piano, com pausa para dar atenção exclusiva a este som, imaginar quem o produz, em qual período da música foi composto e esperar pela cadência que virá ao final da execução. E, logo após retomar a leitura, ansiosa por notas de música e sensibilidade.

Com certeza merecedor do prêmio de um dos melhores livros do ano em 2001, pelo The Washington Post Book World.

Por Paula Franco de Almeida

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