“Adorável exploração das delícias do piano e da vida parisiense”. (Sunday Express)
Um romance de rara sensibilidade sobre a redescoberta do amor pela música. A loja de pianos da Rive Gauche é uma silenciosa e apaixonante história sobre o piano e sua importância na vida francesa e na vida do próprio autor, lê-se na contracapa deste livro de bolso, um presente musicalmente apaixonante que ganhei da minha professora de piano no meu último aniversário. É sem dúvida um dos melhores livros que li este ano.
A história se passa nos anos 90. O próprio autor, o escritor americano Thaddeus “Thad” Carthart, escreve em primeira pessoa. Carthart nasceu nos anos 50, no interior da França, filho de um militar americano acantonado no país. Foi lá que passou a infância. Já no ensino fundamental francês o garoto teve suas primeiras aulas de piano. Quando completou 10 anos, seu pai foi transferido de volta aos Estados Unidos, onde o garoto continuou a estudar piano pelo prazer que sentia; ele nunca sonhou ser concertista, tinha consciência dos próprios limites. Quando chegou a high school, e de lá a universidade, abandonou o piano. E passaram-se 20 anos.
Já nos anos 90, Carhart, trabalhando como jornalista, casado e com dois filhos consegue realizar o antigo sonho de voltar a morar na França. A partir desta mudança o livro se desenvolve. A família se instalou num pequeno apartamento, na Rua Rive Gauche. Todas as manhãs, Carhart saía para levar os filhos à escola. Depois, no caminho de volta , parava num café de uma ruazinha tranquila e estreita. Através da vitrine do café, Carhart enxerga uma loja chamada “Desforges Pianos”. Este é o início do romance, que se segue com a descoberta do piano perfeito para Carhart, sua aquisição, o cuidado com o instrumento e o retorno dele as aulas de piano. Tudo isso pontuado pelas lições surpreendentes e observações saborosas de Luc, um funcionário da loja, que no decorrer do livro se torna proprietário da mesma, e muito amigo de Carhart. Não acho justo falar mais sobre seu desenvolvimento, pois anteciparei aos que possam interessar tão agradável leitura. O livro é uma declaração de amor ao instrumento. Gostoso de ler, rapidamente é concluído. Uma leitura indispensável aos amantes do piano.
T.E. Carhart nos remete tanto à história da música erudita, quanto à história a história do piano como instrumento; dá-nos como referência de seu aparecimento, o ano de 1694, e seu inventor, Bartolomeu Cristofori. Descreve o aperfeiçoamento pelo qual o piano foi passando e sua repercussão nos meios musicais com as novas composições feitas para ele, como as sonatas de Haydn e Mozart. Em alguns capítulos pensei como seria bom se tivesse fotos dos pianos citados, mas logo vejo como minha imaginação se encarregou de vê-los no pensamento, o que sem dúvida eu não faria se tivesse a ilustração.
Um livro para ler ao som de um bom piano, com pausa para dar atenção exclusiva a este som, imaginar quem o produz, em qual período da música foi composto e esperar pela cadência que virá ao final da execução. E, logo após retomar a leitura, ansiosa por notas de música e sensibilidade.
Com certeza merecedor do prêmio de um dos melhores livros do ano em 2001, pelo The Washington Post Book World.
Por Paula Franco de Almeida
Por Paula Franco de Almeida
Nenhum comentário:
Postar um comentário