Tudo escuro, espectadores envolvidos no clima de suspense proposto pela sonoplastia da peça “A Assassina”, que ficou em cartaz até o final de semana 25 e 26 de junho no Sesc Emiliano Queiroz, em Fortaleza. Um assassinato e a magia do teatro tem o seu início. O clichê é claramente utilizado como inspiração cênica nesse primeiro momento do espetáculo, além dele é nítida a presença das novelas mexicanas na ambientação e nas interpretações marcadas pelo over das máscaras faciais. É over, mas cabe dentro da proposta, não fica estranho ao público, é verossímil.
Destaque para o monólogo que segue a cena de assassinato, onde o personagem Pedro Augusto Fernando ao som de um tango “brinca” em cena moldando sua máscara facial de acordo com a intenção da música.
Tudo caminha para um dramalhão mexicano até a entrada do “diretor” em cena que desfaz com os elementos de encantamento (elementos que buscam levar o espectador a outra atmosfera) e então nos vemos diante de um ensaio e não mais de uma peça pronta. A partir de então é meta-teatro e é importante que o espectador tenha consciência do lugar em que ele está, pois toda a peça se desenvolverá a partir dos questionamentos do fazer teatral.
É interessante ver as transições dos atores que passam de personagens fictícios a “atores fictícios” para serem novamente personagens, pois se trata de várias peças dentro de uma e cada ator interpreta no mínimo três personagens além de aparecer em cena enquanto ele mesmo.
Apesar de utilizarem de linguagem própria ao meio teatral muitas das tiradas são compreendidas pelo público em geral e as que se tornam herméticas demais não atrapalham a compreensão do espetáculo.
A peça vem justamente para questionar qual o público de teatro aqui de Fortaleza se não os próprios integrantes do movimento teatral. Precisamos pensar em propostas que tragam o teatro como opção viável de lazer para a população da cidade.
Tudo caminha muito bem durante o espetáculo, a peça tem ritmo, a platéia não se cansa, pois logo aparece um elemento novo em cena e o humor inteligente é na medida certa.
Um desses elementos novos causa certa estranheza, tudo parece terminado, os atores estão em cena comentando o espetáculo entre si quando uma atriz envenena e mata os colegas de cena e comemora o feito num crescente de loucura e egocentrismo cênico. A “assassina” deseja um teatro só dela, onde todas as funções sejam suas: diretora, atriz, figurinista...
Causa estranheza, pois a linguagem utilizada até então nos faz pensar que já não existem mais personagens em cena e sim atores e a verossimilhança do início não se aplica nesse momento.
Após esse momento temos realmente os atores em cena, numa cena belíssima a platéia é levada da comédia à reflexão, questionando as dificuldades de se fazer e viver de teatro na cidade. Drama vivido na prática pelos integrantes do grupo. O Teatro Elo é formado por atores graduados em Artes Cênicas pelo IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará) que lutam para se sustentar e mostrar que teatro é trabalho sério sim!
São cinquenta minutos de diversão garantida, para quem já conhece o meio teatral e para quem vai aprender um pouco com o espetáculo.
Para saber mais acesse: http://www.teatroelo.com/
Por: Camila Barbosa
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