terça-feira, 28 de junho de 2011

Comunidade dos Tapebas – tradição e resistência

O Museu do Ceará, desde o dia 12 de maio até o final de julho, recebe as exposições “Encantados das águas - os Mitos das Águas Presentes nas Histórias do Povo Tapeba" e “Ambientes Aquáticos Tapeba - Avifauna" que fazem parte do acervo do Memorial Cacique Perna-de-Pau, localizado no Território Tapeba, em Caucaia.

Com a curadoria da cientista social Gustava Bezerril, as duas exposições manifestam solenemente um pouco da cultura, das crenças, do território, dos hábitos, da história e dos ambientes aquáticos da comunidade que resiste ao tempo.

O resgate de nossa origem, a cultura indígena, enfatizando os locais considerados importantes para o povo, bem como a fauna presente no rio Ceará aparecem de forma sublime e, de fato, encantada.

Comecei com os “Ambientes Aquáticos Tapeba - Avifauna". Cada ave clicada em momentos de pura espontaneidade, manifestando seu instinto natural, me fez recordar de como um dia quis ser ave. Sua beleza e liberdade sem dúvida dias e dias já foram fortemente invejadas pelos humanos. Embora haja certa fragilidade em suas penas, seu tamanho, a sua habilidade para voar rapidamente se destaca entre os seres da natureza. Dentre a diversidade de espécies, algumas são bem populares e curiosas como a lavadeira, o periquito do sertão, o tetéu, dentre outros também bastante conhecidas.

Na exposição “Encantados das águas - os Mitos das Águas Presentes nas Histórias do Povo Tapeba" encontram-se vários locais cheios de significados míticos. As imagens foram capturadas pelos próprios índios, que relatavam os significados daqueles determinados locais para suas vidas. De todas as imagens a que mais se destaca é o terreiro, não somente pela sua grandiosidade em termos de espaço, mas principalmente pela sua caracterização no cotidiano da comunidade. O terreiro é o templo da tribo. É o local onde buscam renovar suas energias, fazem seus agradecimentos, conversam com o seu próprio Criador e o de toda aquela natureza que os torna vivos. As reuniões nesse espaço, no terreiro, são sacro-santas, tornando cada minuto da vida um tempo único para servir e ser feliz.

Cada pessoa que vai ao encontro dos índios Tapebas, através das exposições, sai com orgulho por ter raízes fincadas em tamanha riqueza cultural. E o encantamento com a beleza, simplicidade, sabedoria de pessoas tão desprovidas de letramento, é fato. O conhecimento do povo indígena foi herdado, vem junto com a vida, com as experiências. Almas assim, tão bem desenhadas, dificilmente se perdem em tão grande mundo. Um índio sempre será reconhecido, mesmo que esteja sozinho em qualquer lugar.



Por Evelyne Pessoa.

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