quarta-feira, 29 de junho de 2011

Dom Poder e a Revolta da Natureza - Ritual e consciência

Depois do sucesso de Os Cactos, Ensaio para um silêncio e Encantrago – Ver de Rosa um Ser Tão, que percorreu o Brasil no Festival Palco Giratório, promovido pelo SESC, o Grupo Expressões Humanas retoma antiga montagem, desta vez com foco no público infantil. O grupo, que completa 20 anos de existência, segue preceitos de Eugênio Barba, Jerzy Grotowski e Antonin Artaud e realiza trabalhos na linha de pesquisa do Teatro Ritualístico desde a sua formação.

Não poderia ser diferente com Dom Poder e a Revolta da Natureza. O contato direto com o público é estabelecido logo na recepção deste, pelos atores, e mantido até o final da peça, onde se celebra a vida com uma grande ciranda. Os sentidos são estimulados pela composição cênica, com cores vivas e canções chicletes, fortes, alegres e suaves. Os espectadores são convidados a participar do jogo proposto, interagindo com a estória contada e interferindo criticamente nela.

Originalmente montado em 1992, o espetáculo teve sua estreia em abril deste ano, seguindo em temporada nos meses de maio e junho, no teatrinho Oca da Aldeia, na sede do grupo. Também realizou duas apresentações no Educar SESC, para 600 crianças. Posteriores temporadas estão previstas ainda para este ano. A montagem tem texto e direção de Herê Aquino, figurino de Yuri Yamamoto e canções de Helô Sales, Tony Fernandes, Venâncio de Sousa e Juliana Veras, que também assina a direção musical. Todas são executadas pelos atores, durante a encenação.

No elenco, Ana Amália Morais, Bio Falcão, Juliana Veras, Marina Brito e Péricles Davy dão vida a alguns entes muito importantes à mamãe-natureza. Aqueles que vemos, sentimos e usamos todos os dias e sequer nos damos conta do quanto desperdiçamos e maltratamos. Água, Sol, Árvore, Ar e Macaco reúnem-se para discutir seu futuro – e o de todos os outros – já que um tal de Dom Poder (Felipe Franco) resolveu que ele é quem mais importa. Precisam dar uma lição naquele que quer destruí-los para obter lucros e não tem um pingo de consciência ecológica ou de preocupação com qualquer outra coisa ou pessoa, além dele mesmo e seu dinheiro. Para tanto, tornam-se cúmplices das crianças e contam com elas para dar sugestões, bolar planos, protestar e até esconder Água e Árvore. Aparentemente frágeis perante um vilão tão cruel e poderoso, os elementos descobrem-se fortes, pois possuem um bem muito maior, desconhecido por seu inimigo e que, portanto, será sua arma secreta: a amizade.

Mais que uma peça para ensinar algo útil às crianças, pode-se dizer que Dom Poder e a Revolta da Natureza segue a ideia de que “a arte educa enquanto arte e, não, enquanto arte educativa” (Gramsci). Envolve crianças e adultos e leva a pensar sobre quando cada um  está na pele do Dom Poder, seja jogando papel pela janela do carro ou tomando banhos exageradamente longos. Mais, convida a refletir. Modifica.


Por Danieli Flores

Para saber mais sobre o grupo, vale acessar o blog ou visitar seu território teatral:
Aldeia Expressões Humanas: Rua Barão de Aratanha, 605, Centro (próximo à Av. Domingos Olímpio)


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