“Os homens que não amavam as mulheres” (Título original sueco: Män som hatar kivnnor. São Paulo: Companhia das letras, 2008, tradução Paulo Neves) é o primeiro livro da série Millennium, criação do escritor Stieg Larsson, jornalista e ativista político na Suécia. Morreu, pouco tempo depois de entregar a seus editores a trilogia Millennium, vítima de um ataque cardíaco.
Este livro narra a história de Mikael Blomkvist, um conceituado jornalista investigativo e também sócio proprietário da revista Millennium, apelidado ainda jovem de super-Blomkvist por ter ajudado a polícia a encontrar uma quadrilha de assaltantes de banco. Blomkvist, em meio a um escândalo, é condenado a três meses de prisão por calúnia e difamação contra uma importante figura do mercado financeiro sueco, o Sr. Hans-Erik Wennerström. Em meio ao abalo de sua credibilidade e a constante perda de investidores na revista, Mikael recebe a inesperada proposta de um senhor, Henrik Vanger, para solucionar o caso do desaparecimento de sua sobrinha, Harriet Vanger, ocorrido há quase quarenta anos, tendo como desculpa o interesse em escrever a biografia da família Vanger. Mesmo acreditando ser impossível descobrir o que aconteceu com Harriet, Mikael afasta-se da revista Millennium, muda-se para Hedeby, parte antiga de Hedestad, e mergulha na história de cada personagem da família Vanger, tratando cada um como potencial suspeito. Ele, então, percebe que o caso de Harriet, para Henrik, é uma obsessão, confirmada no volume de documentos adquiridos e investigações minuciosas realizadas por este ao longo desses quase quarenta anos. Isso faz com que Mikael solicite ajuda de um investigador particular e descobre que ele foi alvo de uma investigação solicitada por Henrik. Impressionado com o detalhamento de sua vida particular compilado em um dossiê, vai à busca da investigadora responsável, Lisbeth Salander.
Lisbeth, uma competente investigadora da empresa Milton Security, apresenta sérios problemas de socialização e tendências violentas, porém é muito ética e fiel a seus princípios. Ela tem vinte e cinco anos, mas por sua estatura e porte físico não parece ter atingido a maior idade. Veste-se como punk, com roupas pretas de couro e tem muitas tatuagens e piercings, e é uma genial hacker. No entanto, Mikael é um solteiro convicto charmoso de quarenta e poucos anos e vive um triangulo amoroso com Erika Berger, sócia proprietária da Millennium, mas sempre está aberto a novos romances. Por meio da investigação do caso Harriet, Mikael e Lisbeth vivem intensamente uma relação muito além da profissional. Em uma envolvente trama de suspense, os dois deparam-se com um impressionante histórico de violências cometidas contra mulheres. Após desvendarem o mistério, Mikael passa a ter uma enorme dívida de gratidão com Lisbeth por ela ter salvado sua vida.
“Os homens que não amavam as mulheres” é um romance policial com boas doses de violência, com um enredo completamente diferente de tudo que já li do gênero. O texto do autor leva a uma reflexão acerca da discriminação contra minorias e coloca em posição central uma anti-heroína sociopata que surpreende a cada capítulo. E este livro é apenas o início das aventuras desta garota.
Por Renata Goes
Nenhum comentário:
Postar um comentário